terça-feira, 12 de agosto de 2014
Robin Williams, hoje não dá para rir.
Fiquei triste com a noticia, como aliás, fico sempre em cada perda humana que acontece neste nosso tão inconstante mundo.
Mas noticias destas, em que se supõe (e repito: supõe segundo a imprensa) que foi a própria pessoa que terminou com o bater do coração, ainda me deixam mais estranha, confusa, irritada e sentida. Ainda mais, se é que tal seja possível.
Tenho conhecido de perto inúmeros casos de pessoas com tendência suicida, em que não atingido o objetivo de não viver, um e outro e mais outro dia, continuam a tentar com todas as suas ferramentas terminar com aquilo que nunca deveria ser terminado. Depois há aquelas que o concretizam, e se agora pensam em fazê-lo, daqui a pouco já está feito. É assim: duro, cruel e incompreensível.
Tal como este grande ator que nos deu tantas e infinitas possibilidades de sorrir e distribuir gargalhadas no sofá da sala já moído de tanto movimento inconsciente do corpo, que respondia sempre de uma forma abrupta ao modo inteligente e inato de como Robin integrava a pele das suas personagens.
Fez sempre rir os telespectadores, e foi porventura aquele que menos sorriu.
É aqui que entra a minha (ainda a ser trabalhada pela vida), definição de felicidade versus alegria!
Isto é o importante e significativo para um modo de viver mais tranquilo e harmonioso, onde também entra, no meu caso, a fé.
Mas atenção, isto quando o Homem ainda não se encontra susceptivel de outras ameaças menos positivas, como é o caso de uma patologia capaz de "matar" aquilo que de melhor podemos ter, a nossa própria identidade. Só Deus sabe o que poderá ter pensado este maravilhoso ator no ato de sacrifício e dor, pois é uma situação de tal impacto que nunca se saberá qual o seu principal motivo.
Resta dizer, e de modo a respeitar a sua Alma, que descanse em muita paz. Robin e a todos os outros que decidem tomar conta da sua vida.
Mais uma vez, escuto um eco ao fundo que me diz serenamente que todos os dias, todos sem exceção, deveremos viver como se o amanhã existisse sim, mas imaginando que tivesse menos 1 hora.
M.C
R.I.P Robin
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Modernização contraditória
Hoje lembre-me de exemplos! Sempre apreciei utilizar essas técnicas como forma de modelagem de seres humanos, como eu.
Não duvido, que são os exemplos as pontes entre o conhecimento adquirido a curto-prazo e a lembrança memorial do que fora ensinado. Sempre assim foi, não desse pela minha memória a encontrar-se numa sala de aula onde, de forma muito confiante e profissional, uma professora de biologia me transmite a seguinte ideia: As girafas alongaram e desenvolveram todo o seu extenso pescoço pela simples necessidade de alimentação e sobrevivência. Lembro muito bem a imagem do livro onde se pronunciavam árvores tão altas mas tão altas, que o corpo do animal não teve outra hipótese, senão, adaptar-se ao meio. A isto Darwin deu o nome de Evolucionismo.
Foi um exemplo que me foi dado, e que eu considerando interessando guardei inconscientemente no meu não muito grande leque de temas a refletir.
E isto hoje fez-me pensar. E pensei sobretudo porque de um modo muito certinho também nós precisamos de imperfeições combinadas e projetadas. O caos é um modo de evolução do mundo e do Homem e não há espaço para que tal aconteça. A criança precisa de criar-se e desenvolver-se a brincar, a ferir o joelho da queda da bicicleta e não pode. Não pode, porque o menino não pode ser além de perfeito, em que avaliação satisfaz na escola é pouco para o esforço que os prestadores de cuidados fazem diariamente para o menino ser médico na melhor universidade do pais.
Ainda assim, prefiro sempre acreditar no outro lado. No lado do sol, da luz, de pessoas com energia, de pessoas genuínas e transparentes, daquelas que usam o coração e o renovam a cada dia. De pessoas que dizem tudo caladas, daquelas que entram em nós sem saberem como, que nos fazem sorrir por dentro, que nos animam e que, sobretudo, nos enchem de evolução com cada história. Gosto mesmo dessas pessoas. De pessoas. Não daquelas que se esqueceram de ser.
M.C
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Até o respirar é simples...
Hoje apeteceu-me partir.
A ilha, ainda que de dimensão muito pequena apoderou-se de mim, num determinado momento da minha vida e me tornou rica. Gostaria de desenhar numa folha reciclada o quanto foi importante para mim, mas não consigo. Vivenciei demasiado e absorvi tudo quanto me foi possível faze-lo num espaço de tempo limitado. Eu ficaria mais para enriquecer e encher os bolsos de memórias, cheiros e afetos. Mas não pude ficar...afinal, nem tudo o que queremos é nos facilitado e muito menos é algo concretizável. Utopicamente falando, há sonhos e sonhos. Assim como há pessoas e pessoas...lugares e lugares....caminhos e caminhos. Tudo é variavelmente inconstante e simples! Simples sim, faz parte de nós torná-las simples e onde melhor para tal do que na ilha? Lá é tudo grande de tão pequeno. O comportamento e as atitudes são tão recém-nascidas e arcaicas que nos levam a imaginar uma vida assim. Tudo o que pode sobressair da resposta corporal é puro. Aquilo é assim. Máscaras só mesmo em eventos que exijam o uso desse adereço. Tem tudo uma beleza única e extraordinária de cor tropical. E é tão bom perceber a alegria, com menos.
Sim, a cultura difere em cada lugar. Mas hábitos somos nós que o criamos, assim aprendi e por isso assim penso.
Tenho como um dos princípios, que o mais alto valor da vida Humana é a capacidade que temos em viver igual em diferentes comunidades, adaptando-nos e ajustando-nos para que sejamos integrados, mas nunca para a anulação de onde nascemos. É isto o nosso mundo. É isto a pluralidade de comunidades e é esta a razão pela qual somos seres em desenvolvimento. Às vezes só não é preciso assim tanto para sermos possuidores, de alguma e mera alegria. Faz tão bem e é a cura de tanto rosto menos contente.
Aqui ou lá...ou nos dois lugares, porque o caminho se Deus quiser ainda será longo, e eu terei tempo de regressar.
M.C
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Pois que assim seja.
Há momentos que mereciam um pouco menos de mim.
Todos deveríamos ser, obrigatoriamente, um pouco menos, só de vez em quando ou até mesmo de quando em vez. Porque há aqueles que não dão nada, e depois há os que dão por eles, pelos outros e ainda entornam para fora do seu Eu aquilo que podiam apaziguar.
Entro na última equipa. E olhem que sempre me disseram que os últimos são sempre os primeiros, ainda que não entenda a razão deste, muito possível mito.
Mas eu sou assim. Entrego-me e mergulho de cabeça! E o que eu gosto de mar! Aquele mar que me atira para outro sitio, que não meu naquele segundo, eu agarro, transformo, cuido e apodero-me na sua totalidade. Apaixono-me e endoideço-me pela sua tão real capacidade de me massajar os pés, cansados e exaustos de pisar chão duro, com aquela areia que não se esgota.
Ainda assim, envolta em tanto e belo equilíbrio eu teimo em sair desse paraíso e, entregar-me novamente. Sou assim. Pouco não é para mim e para mais ou menos, basta o nosso País que não tendo qualquer culpa, acabará sempre por ser o massacrado nas mãos de pele fina e nada crespa dos homens que cuidam dele, ou tentam.
E cuidar, caros leitores, é uma das palavras mais bonitas da nossa escrita.
Tão bonito quanto uma criança o é em dia de sol, onde a tranquilidade exerce o seu maior poder.
Apesar de tudo, fale o que falar, escreva o que escrever, a minha entrega pelas coisas e pelo mundo terá sempre o seu primeiro lugar, assim como as pessoas que me querem o bem. Dou tanto a elas quanto me é possível dar e não espero recompensa, só um obrigado e fico feliz.
Tão feliz quanto o primeiro dia de voluntariado...as saudades que tenho! O quanto me fizeram bem e me deram tanto, aquelas coisas chamadas gestos, que não se pode tocar nem olhar, mas que se sentem! Vivi tanto e sou tanto daquilo que fiz, que ser pouco deveria mesmo ser uma opção para de vez em quando, que acaba esquecida e, cansada.
Não faz mal...até porque na natureza "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" já dizia Lavoisier. Então que tudo se transforme para melhor e em grande quantidade, porque pouco não é mesmo nada.
M.C
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Saudade.
Já faz cinco meses que não escrevia, tanto tempo, tantas horas e tantos contratempos!
Já sentia saudade. Aliás foi por me lembrar precisamente desse aspeto que surgiu a ideia maravilhosa (pelo menos para a minha pessoa) de voltar a tocar as palavras, ou esperar que elas me venerem, seja lá da forma que se entender.
Foi a saudade sim! E eu que tenho sempre tantas saudades de tudo, tinha de me ter esquecido das coisas que me alegram durante este curto espaço. Mas esqueci. E esqueci porque as razões que me levaram a tal não seriam para menos do que foi.
Ainda aqui devias estar avó. Era muito cedo, nem sequer querias ir embora e foste tão rápido. Lembras-te quando estavas deitada na cama, indefesa e com a tua alma tão em sobressalto me disseste que querias que te levasse até ao quintal? Depois sentavas-te na cadeira e apanhavas um solinho. E ficavas tão feliz quando te dizia que Lisboa era o meu novo campo de batalha.
E isto, e aquilo e o outro mundo! Mas já não estás e eu penso tanto em ti...Sabes avó, está a chegar a altura das nespras! E o que tu sabias que eu adorava! As nossas tardes passadas a descascar nespras e a comer torradas! Foi tudo tão bom e tudo tão demasiado cronometrado!
Apesar de tudo isto já sei que estás a descansar e a olhar por mim, para mim, por nós e para nós.
E olha que às vezes preciso bastante! As forças recaem sobre mim mas, são tão mais lentas que a minha alegria de viver que aumento logo toda a minha sensação, às vezes baça, de abraçar este mundo e o outro! O que eu gosto disto de aqui estar!
E logo eu, que teimosa, não queria nascer e nasci.
E logo eu que não queria ter estas saudades e tenho.
E logo eu que queria ser sempre forte como o ferro e não sou.
Mas afinal, foi logo a mim que me foi dado um caminho com curvas e contracurvas com pouca visibilidade e eu ainda assim, as consigo superar e ultrapassar.
A saudade fez isto. Recordar o que foi bom para me lembrar de ti, querida avó. Quem sabe, e porque nada acontece por acaso, para me dar a força necessária para continuar no tal campo de batalha, onde imperam todas as minhas convicções e ideais e, quiçá, toda a minha tão rebelde teimosia.
Que a minha sede de viver nunca se esgote, e que o meu coração nunca se esqueça de que matéria prima é feito.
"Somos tanto mais quanto melhor formos para o mundo"
Amar-te-ei para sempre Avó!
sábado, 14 de dezembro de 2013
Obrigada Avó Adelaide!

Caminhar tem sido a minha vida. E para a frente, sempre.
Sou mulher de paixões fortes, gostos definidos e medos estúpidos, é verdade.
Sei aquilo que sou, o que posso e não posso dar aos outros, o que devo e o que não devo escutar, assim como a forma de agir perante os momentos mais marcantes desta vida que está prestes a entrar no 1/4 de século. E que bem e feliz fico, sobretudo quando os outros (os que me são de alguma forma especiais, por algo que me disseram ou fizeram algum dia), me dizem: "És tão novinha...tens um mundo pela frente". É verdade, eles têm razão.
Mas, não fosse eu tão eu, não iria acrescentar que se é agora que tenho as garras bem afiadas, é agora que tenho de procurar a presa. E que presa! Que presa tão delicada e difícil que não a tenho visto nos últimos tempos por estas bandas. Penso até, que emigrou como tanto homem e mulher desta terra. Chego mesmo a pensar que, fugiu sem passaporte e destino. É uma presa aventureira, talvez. Ou talvez não. Ou talvez sim, sei lá.
A verdade é que esta presa, aquela que tanto necessito para me construir e continuar a amar-me, tem andado nos meus caminhos, só que não a encontro, pelo menos agora. Mas esta mensagem é bem para ti, sim! Eu não desisto, e quanto maior for a tua rápida corrida mais eu me empenho em te procurar. Quanto melhor for a tua estratégia, mais eu a estudo e investigo.
E nunca te esqueças, que um dia te agarro com toda a força que apreendi dentro de mim. E sei que te agarro, sabes porquê? Porque não caminho sozinha, nunca caminhei. Tenho um anjo que me ampara a cada instante, incansável e extraordinariamente presente. Sempre o senti, não te visse eu, com estes olhos que tenho,aos 11 meses quando a minha idade não previa sequer saber o que tal significava. Vi-te e olhei, como ainda hoje o faço. Estás bem presente quando, ao fechar os olhos te vejo diante de mim.
Obrigada minha querida avó velhinha Adelaide!
Oiço-te e guardo-te no coração, até ao fim.
M.C
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Nelson Mandela, o Homem.
Rolihlahla, Tata, Khulu, Dalibhunga, Madiba e Nelson.
Eram estes os seis nomes do Homem que transformou o mundo, ou alguns hectares deles.
1918 foi o ano da data do seu nascimento e ontem, no dia 5 de Dezembro de 2013 a sua alma pediu licença para descansar.
Não é hábito escrever e homenagear todos aqueles, que fizeram algo de muito bom na nossa história, ou pelos seus princípios, ou pelas suas reais atitudes perseverantes, ou mesmo até pelos seus ideais vincadamente livres. Pois não, não homenageio muitos. Presto apenas a minha homenagem, e respeitando todos os outros que pelo mundo também muito fizeram, àqueles cujo carácter me impressionou, em determinado momento da minha vida.
E não muito longe de agora, um desses momentos aconteceu.
Meados de Junho, estava um dia fabuloso onde o sol entrelaçava as grandes árvores da Avenida de Liberdade que, eu fiz questão de percorrer para chegar ao Chiado. Ao contrário de outros dias, o que era suposto fazer resumia-se ao passeio de rua, a olhar montras e afins. Mas, o que é suposto para mim poucas vezes se encaixa. Peguei nesse tal suposto, e ao invés de fazer aquilo que é dito por norma fazer, eu fiz aquilo que bem entendi e, para o qual eu fui chamada.
Entrei nos Armazéns do Chiado, desci a escada rolante que dava à Fnac, e procurei.
Procurei livros que me pudessem dar alguns minutos de boas leituras, onde, entre eles se encontrava aquele que me fez repensar esse dia de sol, o outro e por aí em diante: "Nelson Mandela - Arquivo íntimo". Após algum tempo, e de forma a não ultrapassar os limites do bom senso dos espaços de leitura da Fnac, que como dizia o outro "quem quer, que compre", saí e voltei à realidade.
Realidade esta que, foi inspirada na dor de alguém que lutou para a heterogeneidade das pessoas, e pela aceitação homogénea da cor da pele, assim como pela liberdade, nunca devendo aceitar-se, segundo dizia no mesmo, uma meia liberdade.
Ou temos ou não temos, ainda que deveríamos sempre ter algo que desde a conceção seria (ou deveria) ser nos dada automaticamente, seja isso aquilo que se entenda.
Deixo aqui, como se deixa uma agulha num palheiro, uma mensagem de gratidão e respeito para aquele que nunca sairá do sitio para onde entrou: o coração da humanidade.
Ainda que a raça negra, a raça amarela e a raça branca tenham cores diferentes (e que bonito é um arco-íris), o coração, esse é sempre igual.
Obrigada Grande Madiba!
"Perdoem, mas não esqueçam". Então que perdoemos aqueles que ainda não aceitam a cor, mas não esquecemos então de quem tudo deu por ela.
Descansa em Paz.
M.C
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Porque não?
"I have a dream" já dizia Martin Luther King. Dizia-lo porque acreditava nele, porque lutava, porque se amargurava de tanto escudo andante perante si.
Não foi fácil e ainda não o é.
Os sonhos grandes nunca nos são dados por mero acaso e o destino neles não entra. Nos pequenos sim! Nos pequenos basta uma dose de querer e eles desenrolam-se como se abrisse um novelo de lã branca, aquela que utilizamos para personalizar uma ovelha sozinha na folha. Os pequenos acabam por surgir quando esperamos que eles surjam, quando estamos sentados na esplanada de um café a beber uma sagres gelada e a roer uns cajus. Nos grandes não é assim que se procede. Ou se é, não tem sido com a minha pessoa.
Nos grandes temos de esperar, sentar e dormir sobre eles, de forma a que não nos esqueçamos do que queremos na manhã seguinte. Nesses, que se dizem grandes temos de sonhar alto, mas quietos, pois quanto maior e melhor for o banco da sala de espera, mais seremos capazes de estar sentados sem que no fim encontremos o nosso corpo em formigueiro.
A espera é às vezes tão angustiante, que involuntariamente pedimos distância a um, para entrelaçar o outro. Tão agitada, que preferimos sonhar pequeno pelo prazer imediato de ter logo no instante ao invés de abraçar o tempo e pedir-lhe pressa.
São caminhos opcionais.
Eu opto esperar, ainda que nem sempre o tenha feito.
No entanto, não pense o leitor que sempre assim fora, porque não.
Sim, porque não?
Porque não mudar o rumo?
Porque não sonhar alto?
Aliás, sonha alto quem por si sonhos pequenos realizou um dia.
Procurem um lugar, um silêncio, uma hora de paz tranquila e, porque não acreditar?
Enquanto ele não se reproduz, eu cá estarei embrulhada em energia de natureza.
M.C
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Malala Yousafzaï
Não há muitas Malalas de 16 anos no Mundo.
Aliás, é a única que Malala que conheço.
Pensei um pouco antes de redigir esta crónica, pois assuntos destes não se encontram propriamente interligados às questões rotineiras e incómodas que lemos e vemos todos os dias, é um pouco mais. Quer dizer, muitíssimo mais.
E começo por onde? Começo mesmo pela idade: 16. Lembro-me que com esta idade, além de estudar, namoriscava e quebrava as regras que me eram impostas de modo convictamente rebelde (algo natural e saudável para o estadio de vida em questão, claro).
Se percebemos bem Malala, que na teoria é também ela uma adolescente convicta e rebelde, tem caminhado pelas suas ideias e convicções mais do que qualquer outra mulher com o dobro da sua idade e, é por esse motivo que, na prática supera a sua adolescência e transpõe já e de imediato para a grande mulher que é. Que tem sido e que será, assim o espero.
Tentei uma única vez integrar o seu papel e, vestir a sua pele já magoada de atentados horrorosos e estranhamente culturais, e foi difícil.
Afinal, Malala Yousafzaï sobreviveu a uma bala que se alojou no crânio e a tantos outros desumanos atentados e, ainda assim por cá contínua a lutar por aquilo que acha ser o correto: o direito de todas as crianças e mulheres terem acesso à educação.
Sabemos que continuará sempre a correr grandes riscos de vida, mas sabemos também que temos perante nós e todo o mundo um ser humano com uma força tal, capaz de caminhar sobre as pedras mais duras e significativas até chegar onde o Homem quiser.
“Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro." É assim que se refere àquilo que tantos outros povos têm no seu meio e desprezam e, é enquanto luta (esperando ou não que num certo dia lhe atirem ácido à cara, como já referiu), que vai continuando o seu percurso, que nada é mais do que, uma vida cheia de valores e....educação, ainda que por ela procure.
É por este motivo, por esta Malala que acredito que não é preciso a existência de um exército para mudar o mundo, mas sim de dois ou três oficiais superiores ou, até quem sabe recrutas m formação.
M.C
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Raças
Lembrei-me de vos mostrar mais um dos grandes livros que entram na minha pequena biblioteca.
Ele há livros! Ele há escritores! Ele há homens! Ele há raças...!
Diz-nos Anabela, personagem de "O ex-futuro padre e a sua pré-viúva" (um dos tantos contos das páginas arraçadas), que o amor é para se desembrulhar em todos as ocasiões, mesmo que a forma de se lhe tirar o embrulho não seja a mais adequada e assertiva. Mesmo que seja até, da forma mais feia.
Digo eu, neste caso, que o amor é complexo, difícil e inutilmente desvalorizado.
Comparo muitas vezes esta peculiar questão às abelhas.
Sim, abelhas porque sem elas não teríamos mel. Estranho? Até parece um texto coberto de lamechice alheia e...mel!! Mas não, é verdade. Então, afinal de contas o mel não tem origem nas abelhas? O óleo do girassol? O papel das árvores? Tudo tem uma origem, ainda que estranha e embrulhada em demasia esteja.
Aliás, presumo eu que tudo tem a sua raça, como o amor que é transmitido de e para os tais homens que o autor nos confidencia. Eu tenho o meu amor, o meu homem que sendo único, tem a sua raça. Tal como eu tenho a minha. E é devido (também) a esse facto que eu defendo a heterogeneidade humana e as suas cores e formas. Não seremos nada sem diferença, sem distintos amores, sem variadas formas de rir, vestir e desembrulhar rebuçados como diz a personagem Anabela.
Eu gosto de raças sim! Gosto de gente quente, alegre, enérgica e feliz (mesmo ainda que a vida não permita).
E não, não é fácil falar. A prática é por vezes muito dura e cruel, mas só através dela conseguimos olhar o mundo e as gentes que nele habitam ou desabitam, (depende de cada caso).
Boa! Boa! Boa! Felizmente não há só luar e, felizmente que que existem autores que nos trazem para a realidade aquilo que nada mais é que outras realidades, que não sendo as nossas agora, poderão sê-las no futuro. Até porque, independentemente das raças todos precisamos de água para beber e um amor para amar.
domingo, 4 de agosto de 2013
Será o milho amarelo?
Foto: in Olhares.pt
Sigo em frente e não arredo pé.
Recuso-me absolutamente a andar para trás, ainda que saiba que de difícil não tenha nada.
Somos sobreviventes tais, que a alma se adapta a qualquer circunstância, seja ela amarga ou doce.
Tenho tido muitos doces debaixo da língua, mas ainda tenho aqueles amargos extra resistentes que permanecem debaixo do coração, escondidos.
Tão escondidos quanto a verdade, porque essa é sempre aquele maldita mulher da rua que todos pensam ver, mas que ninguém olha. Que todos pensam conhecer, mas que ninguém conhece. É a verdade, uma das mais complexas atitudes do Ser Humano.
Verdade esta que, a comparo de forma imediata com um homem deitado na rua, de camisa suja e sapatos gastos e descolados e que, podendo ser pobre é rico. Tem outras riquezas que alguns planetas desconhecem em absoluto.
Mas tenho, acima de tudo pena. Por mim e pelos outros planetas. Por mim, pela minha alma e pelos outros corações. Tudo o que deveria ser justo, não parece sê-lo. Mas se neste país alguns pagam impostos e outros não, o que faremos de tudo o resto?
Não há comparação. Há só alguma tristeza e dor não retribuída.
E tudo o que não se retribui, é porque com toda a completa certeza, não é sentido do lado de lá.
A verdade é esta: se alguém pensa sabe-la por inteiro, então é provável que não conheça nem metade do que é.
Importante mesmo, é seguirmos em frente seguros e, caso algum dia gritem o nosso nome nós olharmos para traz a sorrir, ainda que o coração chore.
Até lá, quem não sabe, não fala. Ou não deveria fazê-lo.
Até porque, se olhar para o milho sei logo que é de cor amarela. E por dentro, também será?
M.C
domingo, 21 de julho de 2013
Operação felicidade...a nossa claro.



O Semanário Sol publicou no ano de 2012, os pensamentos de uma Enfermeira Australiana chamada Bronnie Ware sobre aspectos da vida, ou reformulando, sobre aspectos de uma não vida.
Calculo, enquanto cidadã que desconheço o mundo dos Cuidados Paliativos (e aproveito desde já para enaltecer o trabalho de todas os profissionais que nessa área trabalham), que não deve ser pleno de olhar e que as maiores e infelizes lições são dadas nesses locais.
Por isso, a Enfermeira decidiu gritar ao mundo aquilo que lhe foi dito ao longo do tempo, ou pelo menos, aquilo que a mesma registou como sendo a mais relevante de todas: arrependimentos.
São eles:
- "Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros"
- "Quem me dera não ter trabalhado tanto."
- "Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos."
- "Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos."
- " Quem me dera ter-me permitido ser feliz."
Ainda que nos possamos rever neles, de quando em vez ou quando seja, não é de todo fácil colocar em prática. Mas é possível.
Vivemos em tempos que existem mais modas que árvores, mais vícios que pinturas a óleo e menos espírito open-mind que as barragens do Alentejo em tempos de seca. Estou dentro desse ciclo vicioso, estamos todos ou não estivéssemos nós no planeta Terra. Mas, então se uma boa fatia da população nos diz, com pouco em mais força, com mais ou menos vontade, dos arrependimentos que, por sua vez são comuns, porque não construímos e refazemos o nosso caminho à medida desses arrependimentos? Apenas prevenir que os tais arrependimentos sejam menos, ou com menos intensidade.
O 1º passo será o conhecimento securizante de nós próprios, nem que para tal tenhamos que experimentar botas pretas antes de calçar sandálias (como eu muito bem já fiz há alguns anos). Depois disso, aceitamo-nos como somos (ainda que possa demorar tempo),e tudo o resto vem por acréscimo.
Se querem rastas coloquem-nas, senão ficam à mercê daquilo que os outros acham como mais adequado e melhor para vocês.
Se uma mulher quer ser Freira e prosseguir o caminho de Deus enclausurada num convento, que siga. Mas atenção, siga depois da certeza. E caso não a haja, por onde entrou poderá sempre sair. Pessoalmente e, relativamente a este último caso, acho uma ideia profunda e demasiado distante do mundo. Sozinhos somos pouco, somos menos e mais tristes. Mas atenção, esta é a minha opinião. E se a senhora achar que não? Talvez eu até possa estar redondamente enganada. Quiçá? Ainda assim, se a senhora assim for feliz então será esse o caminho que deverá escolher sem olhar para trás.
Não andava nua numa tribo, isso não. E daí? E se uma família achar que é através do corpo, na sua forma mais natural e embrionária que obtém a energia positiva da família? Que seja, claro.
Haveria muito para contar, mas fica a deixa para a reflexão.
Penso eu, ser este o primeiro passo para a operação felicidade. Para a nossa felicidade, que a do mundo virá por acréscimo. E digam lá, que era do nosso mundo sem heterogeneidade? Aborrecido com toda a certeza!
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=40612
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Vejo daqui muros de Berlim por derrubar.
Há histórias marcantes.
A construção, assim como a queda do muro de Berlim foi me contada na escola, numa das minhas disciplinas favoritas: história.
Após anos, dou por mim a rever a critica situação que fora um dia esta guerra fria e a compará-la metaforicamente, com os nossos muros diários e com, pouca probabilidade de serem derrubados.
É difícil aceitar que, de forma automática temos perante nós muros com funções negativas e com alta capacidade de anulação. São muros que nos dividem, distanciam, confundem, abandonam e ainda nos dão dor.
Escolher estar de um lado é justo, mais que justo. É aceitar viver da forma que esse lado vive, respirar do modo como esse lado respira, amar à semelhança desse lado. É ou não justo? É! Somos seres com vontades próprias, direitos e deveres. Caso contrário, viveríamos sem causa justa, já nobre tenho dúvidas.
Não obstante a todas as semelhanças, espreitar o lado de lá não seria, de todo, incoerente. E não falo, duas vezes por mês, uma vês por ano, 1 vez de dois em dois anos. Falo mesmo, uma vez na vida.
Todas, mas todas as pessoas deveriam experimentar lados diferentes de vida, pelo menos uma vez enquanto haja coração forte.
Quem quer viver tranquilamente tem duas opções:
Ou esquece que existe um lado de lá ou espera pelos 70 anos de idade para espreitá-lo.
Quem sabe até, se aos 70 não comece a viver de novo? Até iniciava muito positivamente, pois ao derrubar um muro, o músculo fortalece, e a alma também.
M.C
O verdadeiro luxo.
Somos consequência do toque imensamente expressivo de uma relação humana entre homem e mulher.
Logo, e por este principio, ainda não temos qualquer contato com o mundo real, ficando apenas pelo quente e imaginária do ventre da mãe, e já estamos a estabelecer uma relação.
Nascemos e somos beijados, acarinhados e amados.
Depois gatinhamos, o chão é pisado pelos primeiros passos, andamos com toda a eficácia e, por fim, corremos.
Corremos pelas ruas, pelos parques, pelas salas de casa, pelos quintais completamente atabalhoados por lençóis de linho branco e, caso seja o momento, corremos para as brincadeiras de rua.
É na rua, como na escola e em casa que se criam as relações essenciais para o desenvolvimento humano.
Não é novo isto que escrevo. Ou será?
É.
Dou por mim a conhecer indivíduos que negam de forma total e insensata o valor da escola. Esquecem-se porem, que se a criança não participar no envolvimento escolar, as notas e o não acompanhamento da matéria é de todos os fatores o menos fulcral. Deveriam talvez, memorizar que se não forem à escola, não irão aprender sobretudo como se constroem bases e rampas de acesso às relações.
O luxo nestes casos, é compreender através de dois para dois que, o Homem revela-se e espelha-se através do outro e do mundo. Se não houver outro, e se não existir o tal mundo, é deveras complicado rever-se e conhecer-se.
E olhem que um Homem desconhecido dentro de si, pode usar mil máscaras para se enquadrar e nunca o conseguir fazer.
Entramos nós, profissionais. Felizmente.
E se há casos de sucesso...! Com a máscara logo ali ao lado...quem diria.
Isto sim, é o verdadeiro luxo da vida. Encontrar caminho relacionando-nos.
M.C
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Vizinho, importa-se de me dar salsa?
Ainda temos muito que pedalar, muito.
E pedalar afirmo eu, em dois sentidos que se cruzando em instantes, podem conduzir a novas, diferentes e estranhos pensamentos.
Vejamos o meu primeiro "pedalar": Crise maior a que Portugal eu nunca tinha vivido. É certo que a minha rica idade não permitiu conhecer outros anos antes da minha existência, como é óbvio. Mas eu? Eu nunca tinha sentido tal vazio agoniado do desconhecido. Não sei se o governo cai ou se fica lá muito bem direitinho. Não tenho ainda certeza fundamentada se a queda é melhor que a não queda. Isso eu não sei.
Sei apenas que não foi 1º ministro atual, Dr. Pedro Passos Coelho que pintou de negro o estado da nossa nação. Ela vem de longe, de muito longe. Quem causou? Porquê? O povo não tem culpa alguma? Não sei, e tenho certas dúvidas em algumas dessas questões.
Continuaria a abordar essas questões tendo como base uma simples pergunta (e tal não anula nem desculpabiliza a situação político - económica) que era mesmo esta: "Porque razão não vão às urnas, pelo menos 90% dos portugueses?). E eram tantas, e são muitas as questões duvidosas da minha cabeça, e porque não, seria este o primeiro pedalar?
O outro pedalar é diferente. Deveras e muito contrastante do que nós somos.
Cabo Verde, que hoje, dia 5 de Julho de 2013 comemora o 38º aniversário da proclamação da independência nacional. Somos completamente diferentes e não poderia ser de outra forma.
Por enquanto, apesar da crise violenta que atravessa os nossos mares, ainda temos água. Ainda temos pão. Ainda temos qualidade sanitária suficiente para despejar toda a porcaria que ingerimos. Ainda temos fogão, frigorífico, entre tanta coisa. Estamos, sem sombra de dúvida muito desenvolvidos e somos grandes portugueses reconhecidos em todo o mundo.
No entanto, há uma coisa que nós não temos e que eles lá, naquela ilha onde deixei parte do meu coração, têm: união.
Não somos um povo unido, na minha mera opinião. E isso, agora mais do que nunca nos irá fazer falta e será necessário para combater tropas difíceis. Por outro lado, também me questiono (mais uma vez):
"Se a própria Familia não se ama da forma mais adequada e ajustada, como poderão dar mão aos vizinhos? Como poderão todos os vizinhos pensar, refletir e procurar estratégias que combatam a tal tropa que nos governa? Não pode, e não consegue. E não vos falo em manifestações. Falo-vos apenas de dar um ramo de sala à vizinha. Será muito?
Ai! Assim pudesse eu desejar que tudo o que melhor têm os Cabo-Verdianos, nos pudessem dar. E nós, também poderíamos dar o que de melhor temos e somos. Era uma troca e uma união totalmente feliz.
Era um bom abraço.
E como eu gostaria de dar esse abraço....
M.C
quinta-feira, 27 de junho de 2013
José Maria Cortes, mais uma estrela brilhante no céu.
Falava no outro dia com uma pessoa sobre partidas.
Sentada no comboio de regresso a casa, pensei sobre a conversa e querendo desligar-me dela, não o conseguia fazer. Era então incontrolável.
Hoje seguiu para outro caminho o José Maria Cortes, cabo e forcado do Grupo Forcados Amadores de Montemor. Tinha marcada para Setembro, despir a sua jaqueta e abandonar o grupo. Não foi a tempo, partiu antes de tal acontecer.
Falei dele primeiramente, pois o triste e lamentável abandono ocorreu no dia de hoje.
Agora que também ele, é mais uma estrela no céu, falo-vos das outras.
E falo-vos das outras, porque me encontro sentada no centro do meu quintal a trabalhar e, olhando repentinamente para o céu, percebo que realmente elas são muitas!
Visualizo também que, existem umas mais brilhantes que outras (muito mais).
Penso de imediato para mim mesma: "São os jovens de coração grande e recheado de tudo, que já vi partir". Serão? São, claro que sim!
A família, que aproveito a deixa, para desejar a maior capacidade interna para controlar tamanha incontrolável dor, ficará para chorar a sua partida, assim como os amigos e companheiros.
Mas na verdade, quem perdeu foi o José, assim como o nosso Joka há meses atrás, foram os meus queridos jovens de Montoito, e meu Deus, todos com tanto caminho pela frente, todos com uma pele ainda para envelhecer e enrugar.
Sei que são eles, as estrelas mais brilhantes, e acredito também que são precisos para nos proteger cá na Terra, mas diria eu: Não estará já o céu demasiado brilhante?
São respostas difíceis, tenho completa noção disso.
São nestes dias, como foram há uns meses, e há uns anos também que questiono quase tudo.
Nunca irei questionar a existência de Deus, porque ele existe. No entanto, não quer dizer que, de vez em quando não possa ficar magoada e triste com Ele. Aliás, são com as pessoas que mais amamos que, por vezes mais sofremos e, ainda assim com todas as formas e plenitudes inconstantes continuamos a dar colo e amor.
E colo, neste momento tão delicado, são as pessoas que amam o José Maria que mais precisam dele.
Assim como outra família num outro lugar, que também ela possa ter perdido alguém neste dia tão preto, também ela deve ter amparo.
Um sentimento profundo a toda a família, aos amigos e a todos os forcados que com ele estão neste momento.
Não deve ser fácil, e nunca o será.
Dizem, sei lá, que só o tempo apazigua a dor. Mas até nisso, eu discordo.
Afinal, ele tem passado demasiado rápido que não permite sequer, manter a vida viva para vivê-la.
Paz ao José Maria Cortes.
Paz a todas as estrelas do céu, em especial às mais brilhantes.
M.C
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Acertar o relógio ao tempo.
Tempo. Palavra comum e pela qual tenho refletido alguma vezes.
Tem-me parecido que ele tem tido algumas boleias de aviões onde muito, mas muito rapidamente salta para o lado de lá. Sim, o outro lado menos luminoso e mais fugaz que este lado de cá.
Parei, apreciei o momento e fugi.
Bicicletas cobertas de lama dos campos de milho regados por águas de barragens vizinhas.
Ai aquela barragem, ai a minha bicicleta, ai a saudade, ai o tempo! Ai o tempo que tanto me tem dado! Mas é maroto, vejam bem! Parece tão bem aquele cão que eu tive, que se deitava no tapete que dava à entrada da cozinha a resmungar mais doces! E eu dava, porque gostava dele e porque tinha pena.
Não sabendo explicar (e ninguém o sabe, acho), esse tempo passava tão lentamente que me permitia comer as filhas das minhas laranjeiras lá do quintal. Se eu passava tardes a comer laranjas..! E eram tardes tão grandes que, ainda brincava na rua, fazia os meus t.p.c's, via o Zorro, a Cinderela e o Dartacão!
Aí, o tempo não tinha sabedoria para fazer de mim e para mim o que mais lhe conviesse. Talvez, seja verdade, também não tinha a maturidade que hoje tem. Agora, tenha ele a maturidade que tiver poderia manter pelo menos uns segundos e uns minutos mais calmos de vida.
Temos tanto tempo, não temos? Para quê tanta pressa?
Bem, quer dizer, se calhar não temos assim tanto como julgamos.
Talvez, (e por certo será a maior certeza), o nosso tempo é cada vez mais curto. É cada vez menos tempo.
E é por isso, cada vez menos ele próprio.
Ainda assim, com pouco de si, ele consegue continuar a ser maroto.
Já não tenho as tardadas para comer as laranjas, só tenho umas horas para cumprir atividades de vida diária, tão fúteis por vezes.
Ainda que não saibamos o que nos espera amanhã, temos o direito de pedir.
Por isso, eu peço, quero e desejo.
Peço a mim mesma que viva, da forma que para mim mais me faz sentido.
Eu quero, respirar, trabalhar, amar e abraçar.
Eu desejo, que a minha memória nunca se esqueça que foi o tempo, seja ele quem for, que fez de mim a pessoa que sou.
Que em todos os nossos distantes, curtos ou longos caminhos, nunca nos esqueçamos que quando algo nos é dado, pode também nos ser retirado.
Resta-me dizer que, se as horas são efetivamente menores, nós teremos de ser superiormente melhores e mais eficazes para compensar os ponteiros.
Alegria, acima de tudo.
E alguns risos, que eles também curam muitas faltas.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O colecionador de corujas.
Francois de La Verdi , assim era o nome de um rapaz adulto que colecionava corujas.
A primeira da coleção surgiu, após ter ouvido o contar de uma pequena história na casa de uma senhora já velhinha (como ele a chamara), nos suburbios de Paris.
Não se lembrara lucidamente o número da casa nem a rua. Ficara nele apenas a imagem da senhora e da sala que serviu de palco ao momento. A senhora tinha um cabelo esbranquiçado e seco, que diluído a cada minuto perante a pele pouco enrugada que transportava. Aliás, demasiado jovial para a idade que parecia ter. Francois pensara de imediato que, sem sombra de dúvida, era mais uma das mulheres fã da cirurgia plástica, porque qualquer outro que fosse o argumento contraditório sobre a sua pele era, totalmente inválido. Achara ele, claro.
A sala. "- Ai a sala!" - suspirava Francois, prosseguindo: - "A sala era semi escura por culpa total do arquiteto que a desenhou. Sol, esse não faltava, muito menos janelas (e das grandes). Contudo, perante a fachada principal era visivel o muro bem cimentado que fora construído, propositadamente, de prevenção a um qualquer ataque animalesco, vindo não sei de onde e indo não se sabe para onde.", retorquiu.
Era esta a descrição fixa que se mantinha na sua cabeça, assim como a história que de tão curta, até o mais distraído e não presente a conseguiria não esquecer.
A senhora velhinha, sentada no sofá mais antigo da sala, disse nesse dia cinzento a Francois:
- "Meu caro pequeno indío, um dia verás que todos os bons presentes da vida serão de ti retirados, assim tanto quanto te um dia ofereceram. Irás rir, agradecer e aumentares parte da felicidade. No entanto, nunca te esqueças, que quanto mais te for retirado, mais terás. " Dizia a velhinha.
- "Mas, não pode ser! Então, se me dão uma caixa de bombons as 10h, e às 10h30 já não a tenho, como posso eu ter mais?" - questionava o rapaz.
- "Então é assim: quando te ofereceram os bombons, não vais perder tempo a saboreá-los. Isso é perder tempo, e tempo meu querido pequeno, é dinheiro. Escuta o que te digo, a primeira coisa que vais fazer é sentares-te um pouco, agarrares a caneta e uma folha e transcreveres a sua composição (quantas gramas de óleo, açucar, edolcurantes e tudo o que lá estiver exposto. E porquê? Porque 30 minutos depois podes dizer aos senhores, que te ofereceram os bombons mais saborosos que provaste até então. Na verdade, meu pirralho, tu não provaste foi nada de bombons, mas saboreas-te tudo o que com eles está relacionado. Podes chegar a casa e tentar fazer. Pode não ser fácil. Podes não ter açucar e ter de ir comprar. Também, é verdade que podes não ter dinheiro para comprar ou até mesmo a mercearia estar fechada. Mas na semana ou mês a seguir, tentarás de novo, e outra vez. E outra, e as que forem precisas. E vais conseguir, porque não te foi dado de imediato e tiveste que esforçosamente ir à busca e procura. No final, vais sentir que realmente todos os bombons terão outro sabor. O teu sabor. E isso, é único" - disse a velhinha
"Que giro! Mas da próxima vez, se eu provar um das caixas não deve haver problema!" - disse cheio de sorrisos Francois, ao que a velhinha respondeu logo de seguida:
"Há. Porque não deves querer provar corujas, ou queres?"
Francois, percebera logo que a senhora velhinha lhe tinha dado uma lição de vida. Se existem janelas, é para entrar a luz. Se existem máquinas é para quebrar muros. Se existe vontade, é para colecionar corujas que, com pouco ou muito ensinamento, nos promovem crecsimento pessoal e profissional.
A verdade é que, estou prestes a perder a minha caixa de bombons. Mas garanto-vos que fiquei com uma coruja bem abastada.
M.C
terça-feira, 28 de maio de 2013
Analfabetização psicomotora...será?
Pedir um café, sentar e ler um jornal.
Foi isto que me predispus a fazer antes de iniciar o trabalho delineado para hoje. Por norma, são raras as vezes que saio de casa directamente para o trabalho, pois prefiro alcançar um mediador para sair de um contexto e entrar noutro. Enquanto isso acontece, desfruto daquilo que a natureza me oferece, assim como locais que transpirem, nada mais nada menos que silêncio.
No entanto, e visto que o tempo meteorológico se encontra em minutos constantes de desequilíbrio acabei mesmo por pedir um café, sentar-me e ler um jornal.
Curioso, foi perceber que gradualmente as novas perspectivas técnicas e não técnicas que necessitam ser urgentemente (re)construídas, vão surgindo subtilmente, em capas de jornais.
Hoje, o Destak dizia, passo a citar "Crianças sem destreza - os mais pequenos estão a transformar em analfabetos motores (...). É preciso arranjar tempo para brincar."
Ainda que não seja uma informação positiva e idealista, sorri muito sorrateiramente.
E porquê? Porque tem sido uma das lutas da Psicomotricidade.
É urgente quebrar tabus e preconceitos. É necessário que se entenda que a brincadeira e todo o brincar tem objectivos significativos que, mesmo invisíveis eles estão lá.
É através da brincadeira " pai, mãe e filho" que a criança percepciona o mundo e o Eu que é, ou poderá ser.
É no jogo das "escondidas" e da "apanhada" que a criança se inter-relaciona e se conjuga com o mundo e com os outros, e por este motivo, adquire um adequado processo de desenvolvimento, tão fulcral para o futuro.
Não será apenas na escola que o deverão fazer. Aliás, seria precisamente no pós T.P.C que as brincadeiras deveriam surgir, ao invés de se sentarem frente a um computador a jogar aqueles jogos pelos quais todos nós passámos (ou passamos), numa determinada etapa de vida.
Pensando bem, e de forma muito sucinta, se já se torna difícil preservar amigos enquanto adultos (pelos mais variados factores), que serão destas crianças "enclausuradas" que nem amigos terão provavelmente para preservar?
E é por isso que, o Brincar é uma das formas mais autênticas, criativas e espontâneas de, atingir níveis profilácticos não atingíveis com outras estruturas. Ou seja, é um dos maiores pesos que, quando retirado da balança, provoca desequilíbrios psicomotores, psicossomáticos e psicossociais.
Se não queremos olhar para futuras pessoas fragmentadas, então elas hoje terão que brincar.
Brincar muito!
M.C
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Há ricos que não são tanto quanto os pobres. "Mr. PIP" Guiné-Bissau
- Dançar
- Ler
- Filmes
- História
- Portugal
- África
Escrever (fácil de acertar, por certo)
Acabei de enumerar, dentro das minhas altas escolhas, os interesses sentidos que tenho.
Sem conhecer África já dela gostava, depois ficou a mais pura admiração e curiosidade.
Acontece que, num dos momentos em que nos encontramos em processo de (re)avaliação e escolhas de caminhos (difíceis alguns), surgem-nos sempre pinturas cinematográficas que nos prendem e fazem render.
Quero voltar, apenas com o objectivo de, quiçá, estar presente neles por completo.
Quero sobretudo, crescer e amadurecer os ideais e os gostos que penso serem os mais indicados.
Sentir-me-ei feliz e grata pelo apoio que os meus me possam dar.
Dando a mão aos outros, dou o braço a mim inconscientemente.
E não, não é treta nem palavras ocas e todas bonitinhas.
São desejos e sonhos. E estes? Só existem quando neles acreditamos.
E com esta deixa finalizo esta simplicidade de troca de ideias e desabafos, ficando apenas ou tudo para dizer.
Mas prognósticos, só depois de ver o filme claro.
Regresse ou não, fica a frase: "Seremos tanto maiores, quanto menor for a ideia do não acreditar"
Espreitem trailer:
http://www.tvi.iol.pt/videos/13876874
M.C
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















