domingo, 2 de setembro de 2012

Ser sem Ter

Por eles eu estou aqui, por eles eu consegui e por eles eu estou assim. Mas, também é por eles que estando assim, estou sem eles. Confuso? É para ser, porque de fato o é. Passo a explicar. Já delineei uma vez e sem quaisquer problemas faço mais uma. Eu sou este Ser porque alguém, muito teimoso e insistente acreditou que este Ser não poderia ser mais do que isto, uma menina à procura de um meio lugar ao sol (porque o sol demasiado também queima) de forma a colocar em bom tempo e em momentos arejados o seu tão minimo mas sólido saber. E sim, com um passo hoje e dois amanhã, a "coisa" tem ido ao lugar, e porque é devagar que se vai ao longe, os passos pequenos são os mais importantes, mas também os mais amargos e dificeis de controlar. Mas tudo bem, enquanto seres humanos temos mais é que saber gerir, orientar e comandar todas as nossas sensações e emoções, sem que se quebre a verdadeira e mais realista realidade: Eu sou, porque vocês grandes amigos sempre estiveram lado a lado com este ombro tão carente de risos, cantigas, gargalhadas altas e gigantes dores de cabeça pelas nossas tão duras manhãs. Eu sou, sim! Sou esta fera sedenta de trabalho de futuro e esfomeada de vocês, da vossa tão real e madura amizade. Porque eu sou o agora, porque vocês me permitiram ser. Porque eu sou o agora, porque vocês me incentivaram a ser. Porque eu sou o agora, porque em nenhum dia vocês não deixaram de existir. E por tanto ser, que agora não tenho. Por tanto ser, agora não vos tenho perto. Por tanto ser, agora falho como as notas de mil perante os que me deram milhões. Por isso, Sou sem Ter. Sou feliz sem vos ter, AGORA. Porque amanha eu já sou (ou não) e não quero mais saber de Ser, só Ter! Ter merecido a vossa amizade e ser merecedora do vosso tão rico coração! Tudo isto para vos fazer um pedido de desculpas pela minha tão (curta) ausência. Mais bem ou mais mal eu continuo aqui e igual. Só com a diferença de uns kms e de umas horas desencontradas. E isto dói? Dói pois, mas uma boa noite de cantigas é remédio santo! Afinal, até pode um Homem ser muito mas se não tiver amigos como eu tenho, não tem nada....! : )

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cada um pisa a calçada que quer.

Cada um pisa a calçada que quer e como quer. Eu decidi esperar que o homem trabalhador, de ruas amargas de sol quente construisse o caminho mesmo que muito lentamente, porque nada se faz tão bem feito quanto maior for o tempo para a realização. E esperei, e enquanto continuava à espera, ía colhendo couves dali, cenouras daqui e conversas com as vizinhas de acolá. E de tanto esperar, reparei que a colheita de coisas materialmente necessárias, assim como as coisas moralmente e pessoalmente não dispensáveis, tinha sido positiva, aliás muito positiva. Com toda essa recolha de "coisas" conseguir fazer: - Duas ou três panelas de sopa (que me sustentaram o estômago por 2 ou 3 dias); - Uma grande e preciosa salada embrulhada de tão deliciosos ingredientes; - Um batido de cenoura para nutrir todo o sangue que me corre feromente nas artérias, e ainda deu para guardar receitas de bolos (que ainda não feitos já sentia o seu cheiro). E feito o caminho, construída e fixada a calçada eu dei os primeiros passos e caí logo de seguida. E porque o batido de cenoura me tinha dado tamanha energia, levantei-me de novo e caí. Mais ou menos, esta situação aconteceu 4 vezes. À 5º (sabe-se lá porquê) já não caí, e como se de muita vontade se tratasse comecei a correr, assim tanto quanto pulava e cantava. Um dia, apercebi-me que era necessário conhecer outras receitas, e outros ingredientes e outros vizinhos e alterei o sentido, ou melhor dizendo, mudei para o lado direito da estrada. Apesar de tudo, pensei ter perdido as outras "coisas" que me fizeram crescer e andar. Mas não perdi, porque como em tudo na vida, nada mais sou do que a primeira sopa que fiz, com a pequena diferença de agora ser mais aperfeiçoada. Sei também que a origem é a base de todo o sustento humano, seja ela um caldo verde ou uma panóplia de acontecimentos felizes. E eu? Não, nunca irei pisar outras calçadas enquanto a minha ainda existir e enquanto ainda souber quem sou. M.C

sábado, 23 de junho de 2012

Olhar para a infância e ver quem sou.

São os lugares mais inesperados que trazem as maiores e mais escondidas lembranças. E dizem os senhores que sabem muito, é no convivio e nos momentos descontraídos que descobrimos os maiores pensamentos, as maiores certezas arriscando até a afirmar: a saudade de uma vida que foi nossa mas que nunca chegaremos a saber porque nos foi roubada. Pois bem, falo-vos da infância. Neste caso muito especifico, da minha infância. Não do que aprendi, não como cresci, nem sequer como desenhei as primeiras letras, ou até mesmo de como pronunciei as terceiras palavras, mas sim do que vivi. A escola, os TPC's, o lanche, a hora dos desenhos animados, as férias "grandes", o brincar à apanhada, o brincar às escondidas, o brincar ao "macaquinho do chinês", o cair de bicicleta, o fazer feridas no joelho e sobretudo, o adormecer diariamente sob o olhar das estrelas que tantas vezes eu tentava contar (mas sem sucesso). E no mesmo local inesperado, eu mergulhei ainda mais profundamente e, ao acaso das circunstâncias imaginei-me num jardim com pessoas. Nesse capitulo do livro eu estaria a rir, e a rir, e a rir. Nunca fiz senão rir e sorrir, porque o meu coração ainda estava em crescimento, em desenvolvimento de defesas e armas para esta tão dificil vida que nunca está para nós quando mais estamos para ela. Por isso, é já que assim ela quer, é hora de fazer a vontade: não me apetece mais pensar em ti, oh minha vida! Não hoje! Porque hoje eu vou pensar nos caminhos que trilhei, nas brincadeiras que tive com aqueles amigos de infância que ainda hoje se encontram no mesmo lugar, na forma como tudo mudou. Na dificuldade de compreensão sob o fato de ter estado lá, no meu grande e maravilhoso mundo e agora me encontrar aqui, neste lugar inesperado em que as pessoas se lembram de saudades de outros lugares, de saudades de onde nós somos. Aqui, neste lugar invulgar eu descobri que a cidade grande é pequena em afetos e emoções, os carros passam a uma velocidade relâmpago incapazes de parar a um grito de ajuda. Na aldeia, e como o burro não anda rápido eu posso falar baixinho que a carroça pára, a qualquer instante para matar a saudade de quem somos, do que somos e de onde somos, pois a maior riqueza é saber de que lenha somos feitos e de que campo fomos cultivados. Quando isso acontecer, tenho a sincera certeza que o caminho percorrido será mais leve mesmo que com penas pesadas e será mais iluminado, mesmo que com um sol menos brilhante. E mesmo assim, irão existir sempre lugares inesperados para nos lembrarmos das nossas lembranças, seja na Ponte Vasco da Gama como foi o caso de hoje, seja num outro lado do planeta, como poderá ser um dia. Até lá, o caminho faz-se caminhando e de preferância com um sol bem grande e com capacidade para nos abraçar. M.C