Assim como há o inicio, também há o fim.
Dois momentos, duas situações e dois inevitaveis contrastes como se todo ele fosse como o céu e a terra, ou melhor dizendo, como os olhos que vêm e o coração que não sente.
Mas eu sinto (ou julgo sentir), e reflito como tenho a certeza que o faço.
Mas, pensar, sentir e refeltir para quê? Porquê? Como? E no quê?
Refletir que nos foi colocado no centro do nosso tão complexo corpo um coração para bombear o sangue oxigenado que nos corre nas veias, e criar de forma progressiva uma interligação psicofisiológica entre este tão importante orgão e o nosso tão confuso e aperfeiçoado cérebro, que é como quem diz:
Não esquecer de dar a quem tão nos ama, assim como nao esquecer de amar a quem tão nos deu. E não, isto não é para depois.
É para ser enquanto podemos dar, no agora que estamos cá.
No presente, ou alguns minutos depois.
No amanhã, se tiver de ser, mas logo de manhãzinha.
À tarde, se de manhã tivermos obrigações e responsabilidades por cumprir, mas logo pelo inicio da tarde!
À noite, caso o dia esteje repleto de situações burocráticas para a vida puder seguir, mas sim, tem de ser logo pela inicio de noite.
E se não for possivel nesse dia, nem no outro, ou no outro, a vida dá-nos mais dias e mais horas e mais minutos para puder dar aquilo que qualquer coração precisa para viver, ou melhor para sobreviver: amor.
A ti, meu querido avô Casimiro, eu sei que dei, não todos os dias como teria sido melhor dar, mas os dias que me foram possiveis do meu coração transmitir palavras, energias e sentimentos. Sim, porque todos os corações precisam de recuperar energias para dar, através do simples fato que é receber.
E não temos muito tempo, porque quanto mais o coração se preocupa em bombear o sangue, menos tempo tem para perceber a qualidade de saude das suas veias.
Quanto mais o coração vive para ele, menos vive para os outros.
E quanto menos vive para os outros, mais parece estar sozinho.
E no final de todo o pecurso, mais tarde ou mais cedo, agora ou daqui por 20 anos, um coração só, irá sempre precisar se quem o ajude a bombear o sangue, para puder viver e, preferencialemente feliz e tranquilo.
É uma montanha russa, é verdade. Assim como é o coração também o é o mundo, mas não teria de ser se as pessoas perdem-se um bocadinho de tempo a "tentar" compreender que, quanto menos viverem para os outros, menos viverão para si.
Este simples texto é dedicado ao meu avô Casimiro, que mesmo nos últimos instantes me disse sempre:" Trabalha neta que nada cai do céu! Deixa-te lá estar e não desistas que a vida está dificil". E eu aceitei, porque além de meu avô, foi um Homem bom que tudo fez para criar 10 filhos!
Agora criados, e que já Deus o acolheu, é hora de deixar mágoas e histórias dentro da gaveta, e fazer jus á sua vida, vivendo o melhor senão mais feliz possivel, COM e PARA TODOS, para que não chegue o fim e o coração fique só.
Ana Margarida Pinto Casimiro
domingo, 17 de junho de 2012
Agora o céu terá mais uma estrela..!
Assim como há o inicio, também há o fim.
Dois momentos, duas situações e dois inevitaveis contrastes como se todo ele fosse como o céu e a terra, ou melhor dizendo, como os olhos que vêm e o coração que não sente.
Mas eu sinto (ou julgo sentir), e reflito como tenho a certeza que o faço.
Mas, pensar, sentir e refeltir para quê? Porquê? Como? E no quê?
Refletir que nos foi colocado no centro do nosso tão complexo corpo um coração para bombear o sangue oxigenado que nos corre nas veias, e criar de forma progressiva uma interligação psicofisiológica entre este tão importante orgão e o nosso tão confuso e aperfeiçoado cérebro, que é como quem diz:
Não esquecer de dar a quem tão nos ama, assim como nao esquecer de amar a quem tão nos deu. E não, isto não é para depois.
É para ser enquanto podemos dar, no agora que estamos cá.
No presente, ou alguns minutos depois.
No amanhã, se tiver de ser, mas logo de manhãzinha.
À tarde, se de manhã tivermos obrigações e responsabilidades por cumprir, mas logo pelo inicio da tarde!
À noite, caso o dia esteje repleto de situações burocráticas para a vida puder seguir, mas sim, tem de ser logo pela inicio de noite.
E se não for possivel nesse dia, nem no outro, ou no outro, a vida dá-nos mais dias e mais horas e mais minutos para puder dar aquilo que qualquer coração precisa para viver, ou melhor para sobreviver: amor.
A ti, meu querido avô Casimiro, eu sei que dei, não todos os dias como teria sido melhor dar, mas os dias que me foram possiveis do meu coração transmitir palavras, energias e sentimentos. Sim, porque todos os corações precisam de recuperar energias para dar, através do simples fato que é receber.
E não temos muito tempo, porque quanto mais o coração se preocupa em bombear o sangue, menos tempo tem para perceber a qualidade de saude das suas veias.
Quanto mais o coração vive para ele, menos vive para os outros.
E quanto menos vive para os outros, mais parece estar sozinho.
E no final de todo o pecurso, mais tarde ou mais cedo, agora ou daqui por 20 anos, um coração só, irá sempre precisar se quem o ajude a bombear o sangue, para puder viver e, preferencialemente feliz e tranquilo.
É uma montanha russa, é verdade. Assim como é o coração também o é o mundo, mas não teria de ser se as pessoas perdem-se um bocadinho de tempo a "tentar" compreender que, quanto menos viverem para os outros, menos viverão para si.
Este simples texto é dedicado ao meu avô Casimiro, que mesmo nos últimos instantes me disse sempre:" Trabalha neta que nada cai do céu! Deixa-te lá estar e não desistas que a vida está dificil". E eu aceitei, porque além de meu avô, foi um Homem bom que tudo fez para criar 10 filhos!
Agora criados, e que já Deus o acolheu, é hora de deixar mágoas e histórias dentro da gaveta, e fazer jus á sua vida, vivendo o melhor senão mais feliz possivel, COM e PARA TODOS, para que não chegue o fim e o coração fique só.
Ana Margarida Pinto Casimiro
domingo, 4 de março de 2012
Esperar, mesmo não tendo a certeza se virá.

Dar um pouco de sentido ao tempo, para que o tempo dê um pouco sentido também.
E é sobre mil temas, como o tempo, que me debruço sentada no meu baloiço, cuja vista sobressai involuntariamente enquanto tento progressivamente tomar uma decisão, nada fácil porventura. Mas, ao contrário do que habitualmente acontece, hoje não estou decidida. Estou amargurada, desiludida, fracassada, mas sobretudo magoada.
Ao venerar a linda e maravilhosa paisagem sobre uma vinha já seca do sol, um monte já gasto com o tempo! Ah esse terrivel tempo que tudo leva rapidamente, e que tudo vagarosamente traz, não deveria existir, e eu não estaria aqui neste preciso momento a tentar ter uma decisão.
Pois bem, aqui vai a minha tão gigante questão: Até onde vai o amor? Digo, aquele amor incondicional, de sangue, de esfera muito primitiva, arcaica talvez, cujo tempo infantil nele premanece. Até onde pode ir?
Não querendo ser pessimista (que não o sou verdadeiramente), não tomei decisão nenhuma, mas cheguei há conclusão mais assertiva que fiz em toda a minha curta vida: os limites foram sem duvida ultrapassados!!
Foram ultrapassados, e porque o amor não teve tempo de correr atrás, não houve quaisquer possibilidade de travar este ciclo vicioso de mentira, arrogância, vergonha, incapacidade e, com a minha tão eterna ingenuidade, talvez alguma tristeza. Sim, porque se eu não acreditar que há tristeza, então terei que recorrer há muitos e bons anos atrás, para vivenciar de novo tudo aquilo que passei e desacreditar que todos os gestos, atitudes e palavras foram um tamanho sonho coberto de ilusão.
Se, realmente não houver tristeza nem arrependimento, posso começar a achar que todoa a minha felicidade e todo o meu percuso infantil, nada mais passou do que uma mascara muito mascarada. Até então, eu quero acreditar que não, até esperar que o tempo traga, mesmo que vagarosamente, toda a sua humilde e veridica historia.
Até lá, e esperando que o tempo dê um pouco de sentido a esta corda tão dura, àspera e robusta, eu vou esperar sentada, onde sempre tenho esperado....não esquecendo que, mais que ver, é preciso olhar e estar atento, porque um dia, o tempo pode ter passado por nós sem nós olharmos para ele.
Se esse dia chegar, será tarde e nem que o amor corra como um furacão o conseguirá alcançar. Ainda assim, ingenuamente vou acreditar que este amor, vai readaptar-se e ganhar forças, não para correr, mas para voar, aconteca isto quando acontecer.
E como não sei quando e (se) vai acontecer, vou tentando ser feliz comigo própria, porque ai eu tenho a certeza que o vou ser, afinal
.....
"a minha vida foi o prazer de existir" - Doutor João dos Santos
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Dedicada a ti, minha tão querida avó velhinha! Sim, porque mesmo quando não há sol, eu consigo caminhar!

"Carta para Josefa, minha avó" - José Saramago
Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua."
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